terça-feira, 25 de agosto de 2026

Primeiro encontro - 20/08

 

Olá,

No nosso primeiro encontro, 20/08, fizemos apresentação das nossas trajetórias acadêmico-científicas, detalhamos o plano da disciplina e discutimos sobre o texto "Taquigrafando o Social", de Renato Ortiz.

Texto: "Taquigrafando o Social" - LINK 

Nos diálogos, apontamos que o autor apresenta o trabalho de pesquisa como uma atividade intelectual que não pode ser reduzida à aplicação mecânica de procedimentos previamente estabelecidos. Ao recorrer à imagem do artesanato, Ortiz sugere que pesquisar envolve um saber-fazer construído na própria prática. Assim como o artesão domina instrumentos, materiais e técnicas, o pesquisador precisa conhecer teorias, métodos e procedimentos, mas deve saber utilizá-los de maneira criativa diante das particularidades de seu objeto. O método, nessa perspectiva, se constrói no desenvolvimento da investigação e nas decisões que o pesquisador toma diante dos problemas encontrados.

Outro aspecto destacado é a relação entre teoria, método e objeto de pesquisa. Ortiz critica a ideia de que exista um método universal capaz de ser empregado de maneira indiferenciada em qualquer investigação. Cada objeto, segundo debatemos, apresenta características próprias e exige do pesquisador escolhas conceituais e metodológicas adequadas. Isso significa que técnicas como entrevistas, análise documental, observação, procedimentos estatísticos ou outras formas de produção de dados não possuem valor em si mesmas. Elas adquirem sentido quando articuladas ao problema sociológico que orienta a pesquisa. O método deve, portanto, estar subordinado às questões que o pesquisador pretende compreender, e não o contrário.

Nos diálogos, foi apontado a defesa do autor em distinguir o pensamento sociológico do senso comum. Embora as Ciências Sociais tratem de temas presentes na vida cotidiana como cultura, relações sociais, instituições, conflitos, desigualdades, comportamentos, o conhecimento sociológico, embora parem e/ou reconhecem, não corresponde simplesmente à descrição dessas experiências. A pesquisa exige uma ruptura analítica com as interpretações imediatas da realidade. O pesquisador, na visão apresentada, precisa construir conceitos e categorias capazes de transformar aquilo que parece evidente ou natural em um problema de investigação. Nesse sentido, pesquisar significa estranhar o familiar, interrogando aquilo que, no cotidiano, tende a ser tomado como dado ou autoexplicativo.

Um quarto elemento presente no texto refere-se à articulação entre dados empíricos e interpretação teórica. As informações obtidas em uma pesquisa, na posição do autor, não “falam” sozinhas. Os dados e registros precisam ser selecionados, relacionados e interpretados pelo pesquisador. Ao mesmo tempo, a teoria não deve funcionar como uma estrutura rígida à qual os dados são simplesmente encaixados. Há uma relação de movimento entre teoria e empiria: os conceitos orientam o olhar do pesquisador, enquanto os dados encontrados podem levar à revisão, ao refinamento ou mesmo à reformulação das categorias inicialmente utilizadas. A produção do conhecimento resulta justamente dessa tensão entre aquilo que se concebe teoricamente e aquilo que a investigação permite perceber na realidade.

Abaixo, alguns registros da aula, bem como um registro, no quadro, dos pontos de destaque do texto e as complexas ligações que só fazem sentido aos/às que se mantiveram atentos/as ao raciocínio inteligente e recheado de experiências do Pietrafesa!





Por fim, foi apresentado como atividade: ler o capítulo "A lógica cultural do capitalismo tardio" como complemento da aula.


Como reforço, para além do "universo" web e bibliotecas disponíveis, segue texto como complemento ao discutivo em sala:

Texto: "Pós-Modernismo - A Lógica Cultural do Capitalismo Tardio" - LINK 


Lembrete: todo o material produzido deverá integrar um portfólio digital, organizado em uma pasta no Drive. O link de acesso ao portfólio deverá ser compartilhado com o Pietrafesa.


Por hoje é só!

Abraços,


Ricardo e Pietrafesa.

Boas vindas


Olá, queridas e queridos estudantes e pesquisadores/as!

Este espaço foi criado com muito carinho e cuidado para ser nosso "cantinho" de encontro, mesmo que virtual. A ideia é aprofundarmos os conteúdos explorados em aula e ir além, cada um conforme sua necessidade e interesse em aprender e se aprofundar. Para isso, disponibilizaremos materiais complementares e suplementares às discussões iniciadas em sala, além de atividades para serem realizadas antes, durante ou após as aulas. Também serão oferecidas leituras para aprofundamento e embasamento, além de postagens de documentos, links externos e outros recursos.

Gostaríamos de ressaltar que, além dos estudantes de outros países que estarão presencialmente conosco, teremos a rica presença de estudantes de Moçambique na disciplina, cuja participação se dará de forma on-line. Certamente, a diversidade de culturas, referenciais e experiências será uma marca importante e trará ganhos significativos para todos/as.

Como a proposta é construir uma disciplina em andamento, nos esforçaremos para disponibilizar todas as leituras em formato digital.

Também gostaríamos de enriquecer este espaço com fotografias, textos, vídeos, comentários e outros elementos, para criarmos um ambiente com conteúdos densos e profundos, mas também com leveza, sensibilidade, humor, colaboração e trabalho em equipe. Nesse sentido, para os poucos/as desavisados/as, aqui vai um importante conselho: é possível ter qualidade de vida mesmo durante a árdua tarefa de fazer ciência!

Esperamos, de verdade, que nossas aulas sejam instigantes, interessantes, provocadoras, descontraídas e divertidas. Que possam despertar amizades, parcerias e trabalho coletivo. Que, juntos, possamos contribuir para a construção de novos saberes.

Desejamos a todos e todas um ótimo semestre letivo e contem conosco sempre que precisarem!

😘

Ricardo e José Paulo Pietrafesa